Quando a provisão é revisada mais de uma vez no mesmo exercício, o tema deixou de ser jurídico e passou a ser de balanço. A pergunta do CFO e do conselho não é sobre o mérito das ações, é sobre a trajetória, e sobre quem consegue explicá-la.
Primeiro o problema vira mensurável. Depois se explica a trajetória, se escolhe onde agir e se acompanha o resultado.
Reconciliar estoque, entradas, encerramentos, pagamentos e reavaliações, e amarrar a carteira jurídica ao razão contábil. Enquanto os dois números não fecham, toda discussão de mérito é prematura.
Decompor a variação por volume, ticket, probabilidade, duração, fase, tese, região e escritório. A duração é o driver mais subestimado: define o valor presente da provisão e quase nunca é medida por fase.
Atacar a causa evitável na origem, a política de acordo, o encerramento, os incentivos da banca externa e a governança de provisionamento, nessa ordem, e com meta por driver.
Instalar o painel, a cadência de revisão e o dono de cada driver, para que a resposta não dependa de um projeto nem de uma pessoa.
É quanto dura, em média, a fase de execução no Judiciário brasileiro, contra 2 anos e 5 meses na fase de conhecimento. Essa diferença é input direto do valor presente da provisão, e raramente entra no cálculo. CNJ, Justiça em Números 2026.
Uma explicação da trajetória que se sustenta perante auditoria e conselho, e um programa com meta de redução de desembolso e de exposição, medido contra linha de base.
A conversa acontece em linguagem de balanço, não de petição: CPC 25 / IAS 37, reconhecimento, mensuração, duração e divulgação.